Deus cuida
Hoje vou me dar o trabalho de falar o óbvio: Deus cuida, Deus escuta, Deus dialoga. Vou contar uma história que ouvi de um padre que conheci aqui na Inglaterra. Dizia que estava em Paris, sem muito conhecimento da língua francesa, e previa que lá ficaria por uns 20 dias. Estava hospedado, se não me falha a memória, em um convento, aproveitando as férias. Depois de alguns dias passou a sentir-se um pouco só. Saiu de casa, caminhou um pouco, pegou o metrô… Entre uma estação e outra, teve um diálogo interessante com Jesus: “Senhor, manda alguém, por favor! Alguém que fale português, alguém que possa me dar um abraço, que possa conversar comigo, me ouvir… Não é carência física, mas eu preciso conversar com alguém, preciso de um abraço!” Pareceu ouvir a resposta “ciumenta” de Deus: “Você é meu, não divido você com mais ninguém.” “Mas se sou teu, arranja um jeito de me abraçar, de me tocar!”
Desceu na estação seguinte, como que de impulso. Estava em Rue du Bac, onde se encontra a capela da Ordem das Irmãs da Caridade. A essa Ordem pertencia Catarina, hoje Santa Catarina Labouré, que de Maria Imaculada teve visões e o pedido de cunhar uma medalha — a Medalha Milagrosa. Bateu na porta de um convento, prontamente aberta por uma freira impressionada. Identificaram-se: ela também era brasileira, e — para não falar de providência! — as irmãs estavam precisando de um padre que desse a bênção ao final da oração, pois o titular não pôde comparecer.
Entrou, pois, e foi se paramentar. As irmãs estavam conduzindo a oração e, ao fim, vestido com o véu umeral, erguia o ostensório com o Santíssimo Sacramento para dar a bênção, quando ouviu o Senhor dizer-lhe: “Não te disse? Estou nas tuas mãos.”
Shalom!