Recentemente tive uma experiência muito interessante. Na sala de aula, há mais ou menos 2 semanas, não lembro como surgiu o tópico fé x ciência. Diariamente preciso sair uns 10 minutos antes do término da aula para poder participar da Santa Missa, e nesse dia eu me despedi dizendo brevemente que fé e ciência não são contraditórias — ou pelo menos não deveriam ser. A professora disse que gostaria de voltar naquele tópico em outra oportunidade, e saí orgulhoso de ter deixado a turma com gostinho de água na boca.
No dia que houve a conversa sobre fé x ciência, eu infelizmente não estava… Mas boa foi minha surpresa quando, no dia seguinte, a turma praticamente parou para me entrevistar, e conversarmos sobre o que eu queria dizer com não serem contraditórias. Claro, foi a oportunidade para evangelizar. Mas aí também caí do cavalo, como São Paulo — se ele tivesse caído de um cavalo. Na véspera uma pessoa havia me dito que seria teoricamente simples convencer uma pessoa muçulmana a acreditar na Divindade de Cristo, apenas pela lógica, pois eles também acreditam na Concepção Virginal. A diferença é que, segundo eles, Deus não seria Pai de Jesus, mas apenas seu Criador. Jesus seria uma pessoa sem pai, como Adão.
Lá estou eu, então, tentando chegar com eles à conclusão de que, se Deus criou Jesus sem auxílio de um homem, nada mais justo que considerá-lo Pai de Jesus, e conseqüentemente, Jesus como Filho de Deus… É claro que eles não se convenceram. E eu, de minha parte, me convenci logicamente que não é a lógica humana simplesmente que vai convencer as pessoas. É preciso uma lógica maior, iluminada e conduzida pelo Espírito. Lógica encarnada na vida, vivida. Lógica que é o Evangelho, que nos leva a amar.
Lembra de São Paulo no Areópago¹? Pois é. Não tive muito sucesso. Mas, se não consegui “convencer” os colegas muçulmanos e ateus de minha turma, espero ter pelo menos alcançado o coração da professora.
¹ Atos 17,16ss.