Você acha possível?

Pois bem, no final do mês passado estávamos em um retiro num priorado dominicano, próximo daqui. O tema era teologia do corpo. Num determinado momento, alguém levantou uma questão importante, profunda — inclusive bastante comentada há alguns meses — sobre se não seria um mal menor a distribuição de camisinhas na África, inclusive porque a contaminação ocorre dentro do próprio matrimônio, etc.

“Mas é preciso educar o povo.”

“Sim, concordo, mas é preciso educar para o amor”, respondeu a Ir. Hyacinth.

“Educar para o amor? Mas como é possível educar para o amor?”

“Ah! Aí é que está! É possível, sim! Exige um bocado a mais da gente, mas é possível.”

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A vocação sublime de ser mãe


Quando nos debruçamos sobre as Sagradas Escrituras, especialmente no Antigo Testamento, encontramos ali uma das imagens de Deus que muito nos impressiona. Ele leva o seu povo nas suas entranhas (cf. Is 46,3). Ama-o com ciúmes e o defende dos inimigos. Deus parece amar como uma mãe, mas o Seu amor vai além: “Ainda que uma mãe esqueça do seu filho, eu não o esquecerei” (cf. Is 49,15) Como não nos maravilhar pelo fato de termos sido gerados pelas “entranhas de misericórdia” de Deus?

Uma linda canção que atualmente se canta na Comunidade Católica Shalom diz: “Quem é esse Deus que chora a nossa dor como uma mãe (…) quem é esse Deus pra nos amar assim?”. É vivendo este mistério do amor e da misericórdia de Deus que contemplamos e nos maravilhamos com o mistério da maternidade humana e espiritual de nossas mães. Elas hoje são lembradas no calendário civil, mas o são cada dia e cada hora pelo coração do filho que reconhece, com gratidão, que sua mamãe se distingue de qualquer outra, independente das suas fraquezas e limitações.

O que seria de muitos de nós se a nossa mamãe não tivesse sido “salvação”, âncora, bússola, força, estímulo, esperança? Elas compreendem cedo que precisam do sustento do filho, que precisam das mínimas condições humanas para educá-los, que precisam da paternidade do pai, mas, por natureza, sabem que somente o amor dignifica plenamente a vida do filho. Quando lhes falta tudo, apostam no amor e se lançam na aventura sublime de educarem seus filhos até às últimas consequências. São fortes, são heroínas, são santas, são mártires. Trazem consigo uma força e um instinto extraordinários. Choram, sofrem, cuidam, perdem, riem, recomeçam, perdoam, são mães!

“Amar até doer”, dizia Madre Teresa de Calcutá! Mas também diz isso a vida de quem se recusa a abortar ou de quem corre todos os riscos pela defesa da vida do filho. Amar altruistamente! Talvez seja a única palavra que mais defina a vocação sublime de ser mãe! A mãe é ponte por onde se “passa do nada (ex nihilo) para a claridade desta vida, dom de Deus”. Já na claridade desta vida, Deus concede a face e a ternura da mãe como ponte para encontrar a Dele. A maternidade e presença da mãe são cheias da autoridade divina. A vocação da mãe remete sempre à saudade que o coração tem do amor de Deus. Por isso, quem ridiculariza sua mãe cai num abismo de dor e de separação com Deus.

A maternidade biológica é sinal de doação, morte pra si mesmo e desprendimento do dom do filho. Quando o filho nasce a “mãe começa a morrer” porque fará da sua vida uma plena doação, esquecimento de si, renúncia, heroísmo e altruísmo. Deus nos ama como uma mãe! Por isso nos trouxe ao mundo pelo dom da paternidade e da maternidade. Gera-nos para a vida da graça na fé da Mãe Igreja. Confia-nos aos cuidados da proteção e intercessão de uma Mãe, a Virgem Maria.

A maternidade espiritual é fecundidade que me põe de pé diante da cruz, que me ensina que a vida é obra da gratuidade de Deus. A mãe espiritual indica e conduz ao céu. As mães espirituais reluzem também a beleza da Mãe Igreja. Esse mistério que envolve cada mãe foi possível contemplar aos pés da cruz. Lá tudo terminou com a oferta. “Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito; mulher, eis aí o teu filho; filho eis aí tua mãe!”

Também faz parte da vocação de ser mãe a sabedoria, a renúncia e a coragem de dar de graça o que de graça se recebe. Os filhos são de Deus primeiramente, portanto, cuidar e sofrer com eles, significa amar até o fim, na certeza de que quando se dá um filho para Deus, faz-se a melhor das ofertas. Não é este o maravilhoso testemunho de Santa Mônica para com o seu filho Santo Agostinho? Dia e noite ela rogou de joelhos ao Senhor, durante vinte anos, que o chamasse para o seu círculo de bem-aventurados. Chorou intensamente a Deus pelos erros do filho. Um dia Mônica foi procurar Santo Ambrósio em lágrimas, Bispo da sua Cidade, depois de receber suas recomendações uma primeira vez, e lhe pediu ajuda para conduzir Agostinho para a Igreja. Respondeu-lhe o servo de Deus: “Vá e viva em paz, pois é impossível que possa perecer um filho de tantas lágrimas”. Ela acreditou serem estas palavras voz de Deus, e delas não abriu mão (cf. Santo Agostinho. Confissões, III,11.12).

Neste dia das Mães, também esta palavra de esperança para todas as mamães marcadas pela dor, pelo abandono do seu cônjuge, pelo flagelo do adultério. Uma palavra de esperança para todas as mamães que se encontram no sofrimento com o filho doente, drogado, alcoolizado, desaparecido, desempregado. Uma palavra de esperança para as mamães que se encontram nos albergues e nos abrigos, que tudo e a todos perderam com as enchentes; que estão nas casas de tratamento mental, vítimas da AIDS, nas prisões, abandonadas pelos filhos. Uma palavra de esperança para as esposas que não podem ser mamães por causa da esterilidade ou outras complicações de saúde. A vocês mamães, a esperança de que a solidariedade humana e a luz da fé não desapareceram de vossas vidas. Também uma prece e uma oração por vocês!

Parabéns minha querida mamãe! A gratidão é a memória do coração e a expressão do amor. Neste dia queremos confiar cada Mãe nas mãos e no coração cheio de ternura de Maria, Nossa Mãezinha amada, Virgem de Nazaré. Foi diante da cruz que ela mais claramente compreendeu a sua altíssima missão de ser a Mãe do Salvador e Mãe nossa. Também Tu, Maria, ajude cada mamãe a viver sua missão, sublime missão. Acima de tudo, ensina a mamãe de hoje a rezar, a ter fé, a viver de esperança, da própria vida de Deus, para que “vivam o dom da maternidade como vocação à salvação” (cf. I Tm 2,15).

Que cada mamãe seja para os filhos, para o esposo e para o lar, um céu de ternura, aconchego e calor. Que a oração seja a força, o remédio, o sustento. Ó Maria, Virgem e Mãe, sejas Tu, a Soberana consolação de cada mamãe. Amém!

Antonio Marcos
Consagrado na Comunidade de Vida Shalom

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Uma aula

Ontem tivemos uma aula atípica na minha turma de Inglês. Na verdade, foram várias aulas. Era a despedida de uma colega, e aproveitamos para fazer algo diferente: cada um daria uma aula sobre algo de seu gosto pessoal, ou de seu conhecimento e área específica. Tivemos aula de divisibilidade, logoterapia, culinária, conhecimentos gerais sobre a Coréia do Sul e até sobre concentração — é, a arte de reunir suas forças e estar atento e disponível para determinada atividade ou evento. Enfim, foi “uma aula” eclética, e a professora aproveitou para fazer suas observações. Mas, na verdade, a grande aula que tive foi a do amor e partilha que nós, família humana, podemos viver. Em tempo: grande parte de meus colegas é muçulmana. Aprendo muito com eles.

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Algumas fotos em Assis

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Direito à vida!

Andou por aqui, em Bournemouth, o Dr Philip Nitschke, para promover seu workshop sobre eutanásia. Sim. E abertamente disse que escolheu Bournemouth — na verdade, sua segunda tentativa, uma vez que ano passado foi impedida a realização — baseado no alto número de idosos da cidade, o que tornou “óbvia a escolha”, segundo o Daily Echo.

Algumas pessoas foram ao encontro, na maioria idosos, realizado no saguão de um hotel naturista, mas muitas tiveram receio de serem filmadas ou fotografadas, talvez para que suas famílias não descobrissem que estão considerando a eutanásia.

O Dr Nitschke afirmou que as pessoas devem ter o direito de escolher uma morte tranqüila.

Direito de escolher?

Minha gente, é preocupante perceber como a sociedade tem trocado os pés pelas mãos, e colocado como relativo o que é absoluto, e vice-versa. Os “planos para o fim da vida”, como o citado conferencista os chamou, quem dera a sociedade os tivesse em conta de eternidade. Escolhamos fazer o bem hoje. Escolhamos amar hoje. Assim acumularemos tesouro no céu. Uma sociedade que descarta o sofrimento com extremo repúdio, sem sequer considerá-lo parte da frágil natureza humana, acaba por descartar seu próprio valor. Belo, rico e divino valor.

Temos o direito de escolher pela vida. E o homem só pode ser considerado verdadeiramente livre quando opta, livremente, pelo amor, pelo bem, pela vida.

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Feliz Páscoa!

Feliz Páscoa!

Feliz Páscoa!

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CASO DA MENINA DE ALAGOINHA O lado que a imprensa deixou de ver

No dia 25 de fevereiro, nossa cidade foi tomada de surpresa por uma trágica notícia de um acontecimento que chocou o país: uma menina de nove anos de idade, tendo sofrido violência sexual por parte de seu padrasto, engravidou de dois gêmeos. Além dela, também sua irmã, de treze anos, com necessidade de cuidados especiais, foi vitima do mesmo crime. Aos olhos de muitos, o caso pareceu absurdo, como de fato assim também o entendemos, dada a gravidade e a forma como há três anos isso vinha acontecendo dentro da própria casa, onde moravam a mãe, as duas garotas e o acusado.
O Conselho Tutelar de Alagoinha, ciente do fato, tomou as devidas providências no sentido de apossar-se do caso para os devidos fins e encaminhamentos. Na sexta-feira, dia 27 de fevereiro, sob ordem judicial, levou as crianças ao IML de Caruaru-PE e depois ao IMIP (Instituto Médico Infantil de Pernambuco), de Recife a fim de serem submetidas a exames sexológicos e psicológicos. Chegando ao IMIP, em contato com a Assistente Social Karolina Rodrigues, a Conselheira Tutelar Maria José Gomes, foi convidada a assinar um termo em nome do Conselho Tutelar que autorizava o aborto. Frente à sua consciência cristã, a Conselheira negou-se diante da assistente a cometer tal ato. Foi então quando recebeu das mãos da assistente Karolina Rodrigues um pedido escrito de próprio punho da mesma que solicitava um “encaminhamento ao Conselho Tutelar de Alagoinha no sentido de mostrar-se favorável à interrupção gestatória da menina, com base no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e na gravidade do fato”. A Conselheira guardou o papel para ser apreciado pelos demais Conselheiros colegas em Alagoinha e darem um parecer sobre o mesmo com prazo até a segunda-feira dia 2 de março. Os cinco Conselheiros enviaram ao IMIP um parecer contrário ao aborto, assinado pelos mesmos. Uma cópia deste parecer foi entregue à assistente social Karolina Rodrigues que o recebeu na presença de mais duas psicólogas do IMIP, bem como do pai da criança e do Pe. Edson Rodrigues, Pároco da cidade de Alagoinha.
No sábado, dia 28, fui convidado a acompanhar o Conselho Tutelar até o IMIP em Recife, onde, junto à conselheira Maria José Gomes e mais dois membros de nossa Paróquia, fomos visitar a menina e sua mãe, sob pena de que se o Conselho não entregasse o parecer desfavorável até o dia dois de março, prazo determinado pela assistente social, o caso se complicaria. Chegamos ao IMIP por volta das quinze horas. Subimos ao quarto andar onde estavam a menina e sua mãe em apartamento isolado. O acesso ao apartamento era restrito, necessitando de autorização especial. Ao apartamento apenas tinham acesso membros do Conselho Tutelar, e nem tidos. Além desses, pessoas ligadas ao hospital. Assim sendo, à área reservada tiveram acesso naquela tarde as conselheiras Jeanne Oliveira, de Recife, e Maria José Gomes, de nossa cidade.
Com a proibição de acesso ao apartamento onde menina estava me encontrei com a mãe da criança ali mesmo no corredor. Profunda e visivelmente abalada com o fato, expôs para mim que tinha assinado “alguns papéis por lá”. A mãe é analfabeta e não assina sequer o nome, tendo sido chamada a pôr as suas impressões digitais nos citados documentos.
Perguntei a ela sobre o seu pensamento a respeito do aborto. Valendo-se se um sentimento materno marcado por preocupação extrema com a filha, ela me disse da sua posição desfavorável à realização do aborto. Essa palavra também foi ouvida por Robson José de Carvalho, membro de nosso Conselho Paroquial que nos acompanhou naquele dia até o hospital. Perguntei pelo estado da menina. A mãe me informou que ela estava bem e que brincava no apartamento com algumas bonecas que ganhara de pessoas lá no hospital. Mostrava-se também muito preocupada com a outra filha que estava em Alagoinha sob os cuidados de uma família. Enquanto isso, as duas conselheiras acompanhavam a menina no apartamento. Saímos, portanto do IMIP com a firme convicção de que a mãe da menina se mostrava totalmente desfavorável ao aborto dos seus netos, alegando inclusive que “ninguém tinha o direito de matar ninguém, só Deus”.
Na segunda-feira, retornamos ao hospital e a história ganhou novo rumo. Ao chegarmos, eu e mais dois conselheiros tutelares, fomos autorizados a subirmos ao quarto andar onde estava a menina. Tomamos o elevador e quando chegamos ao primeiro andar, um funcionário do IMIP interrompeu nossa subida e pediu que deixássemos o elevador e fôssemos à sala da Assistente Social em outro prédio. Chegando lá fomos recebidos por uma jovem assistente social chamada Karolina Rodrigues. Entramos em sua sala eu, Maria José Gomes e Hélio, Conselheiros de Alagoinha, Jeanne Oliveira, Conselheira de Recife e o pai da menina, o Sr. Erivaldo, que foi conosco para visitar a sua filha, com uma posição totalmente contrária à realização do aborto dos seus netos. Apresentamo-nos à Assistente e, ao saber que ali estava um padre, ela de imediato fez questão de alegar que não se tratava de uma questão religiosa e sim clínica, ainda que este padre acredite que se trata de uma questão moral.
Perguntamos sobre a situação da menina como estava. Ela nos afirmou que tudo já estava resolvido e que, com base no consentimento assinado pela mãe da criança em prol do aborto, os procedimentos médicos deveriam ser tomados pelo IMI dentro de poucos dias. Sem compreender bem do que se tratava, questionei a assistente no sentido de encontrar bases legais e fundamentos para isto. Ela, embora não sendo médica, nos apresentou um quadro clínico da criança bastante difícil, segundo ela, com base em pareceres médicos, ainda que nada tivesse sido nos apresentado por escrito.
Justificou-se com base em leis e disse que se tratava de salvar apenas uma criança, quando rebatemos a idéia alegando que se tratava de três vidas. Ela, desconsiderando totalmente a vida dos fetos, chegou a chamá-los em “embriões” e que aquilo teria que ser retirado para salvar a vida da criança. Até então ela não sabia que o pai da criança estava ali sentado ao seu lado. Quando o apresentamos, ela perguntou ao pai, o Sr. Erivaldo, se ele queria falar com ela. Ele assim aceitou. Então a assistente nos pediu que saíssemos todos de sua sala os deixassem a sós para a essa conversa. Depois de cerca de vinte e cinco minutos, saíram dois da sala para que o pai pudesse visitar a sua filha. No caminho entre a sala da assistente e o prédio onde estava o apartamento da menina, conversei com o pai e ele me afirmou que sua idéia desfavorável ao aborto agora seria diferente, porque “a moça me disse que minha filha vai morrer e, se é de ela morrer, é melhor tirar as crianças”, afirmou o pai quase que em surdina para mim, uma vez que, a partir da saída da sala, a assistente fez de tudo para que não nos aproximássemos do pai e conversássemos com ele. Ela subiu ao quarto andar sozinha com ele e pediu que eu e os Conselheiros esperássemos no térreo. Passou-se um bom tempo. Eles desceram e retornamos à sala da assistente social. O silêncio de que havia algo estranho no ar me incomodava bastante. Desta vez não tive acesso à sala. Porém, em conversa com os conselheiros e o pai, a assistente social Karolina Rodrigues, em dado momento da conversa, reclamou da Conselheira porque tinha me permitido ver a folha de papel na qual ela solicitara o parecer do Conselho Tutelar de Alagoinha favorável ao aborto e rasgou a folha na frente dos conselheiros e do pai da menina. A conversa se estendeu até o final da tarde quando, ao sair da sala, a assistente nos perguntava se tinha ainda alguma dúvida. Durante todo o tempo de permanência no IMIP não tivemos contato com nenhum médico. Tudo o que sabíamos a respeito do quadro da menina era apenas fruto de informações fornecidas pela assistente social. Despedimo-nos e voltamos para nossas casas com a promessa da assistente social de que a documentação sobre a menina dos 9 anos com o parecer médico e os encaminhamentos para o aborto seriam enviados ao Conselho Tiutelar de Alagoinha até a quarta-feira, dia 4 de março, o que até hoje no Conselho Tutelar se espera. Foram enviados apenas os documentos relativos às informações sobre a menina irmã de 14 anos, também violentada.
Aos nossos olhos, tudo estava consumado e nada mais havia a fazer, pois estava claro para nós que em pouco tempo seria iniciado o processo abortivo.
Dada a repercussão do fato, o Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife, Dom José Cardoso, e o bispo de nossa Diocese de Pesqueira, Dom Francisco Biasin sentiram-se impelidos a rever o fato, dada a forma como ele se deu. Dom José Cardoso convocou, portanto, uma equipe de médicos, advogados, psicólogos, juristas e profissionais ligados ao caso para estudar a forma como tudo se seu. Nessa reunião, que se deu na terça-feira, dia 3, pela manhã, no Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, também estava presente o Sr. Antonio Figueiras, diretor do IMIP que, constatando o abuso das atitudes da assistente social frente a nós e especialmente para com o pai, ligou ao IMIP e mandou que fosse suspensa toda e qualquer iniciativa que favorecesse o aborto das crianças. E assim se fez por volta das 8 horas da manhã.
Outro encontro de grande importância na luta pela vida dos bebês aconteceu. Desta vez foi no Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, na tarde da terça-feira, dia 3. Para este, eu e mais dois Conselheiros, bem como o pai da menina fomos convidados naquela tarde. Lá no Tribunal, ficamos na sala de espera, mas o desembargador Jones Figueiredo, junto a demais magistrados presentes, se mostrou disposto a tomar as devidas e possíveis providências para que as vidas das três crianças pudessem ser salvas. Neste encontro, que se deu na Sala da Presidência do TJPE, também estava presente o pai da criança, o Sr. Erivaldo. Depois de cerca de 1 hora de reunião, deixamos o Tribunal esperançosos de que as vidas das crianças ainda pudessem ser salvas, com base na orientação dada pelo diretor do IMIP para cancelamento de toda e qualquer iniciativa pró-aborto naquele dia.
Já a caminho do Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, por volta das cinco e meia da tarde, Dom José Cardoso Sobrinho recebeu um telefonema do Diretor do IMIP no qual ele lhe comunicava que um grupo de uma entidade chamada Curumins, de mentalidade feminista pró-aborto, acompanhada de dois técnicos da Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco, teriam ido ao IMIP e convencido a mãe a assinar um pedido de transferência da criança para outro hospital, o que a mãe teria aceitado. Sem saber do fato, cheguei ao IMIP por volta das 18 horas, acompanhado dos Conselheiros Tutelares de Alagoinha para visitar a criança e a mãe. A Conselheira Maria José Gomes subiu ao quarto andar para ver a criança. Eu e o Conselheiro Hélio ficamos embaixo esperando a volta de Maria José. Ela, na recepção do quarto andar, identificou-se e a atendente, certamente ciente que a criança não estava mais na unidade, pediu que a Conselheira sentasse e aguardasse um pouco, porque naquele momento “estava havendo troca de plantão de enfermagem”. A Conselheira sentiu um clima meio estranho, visto que todos faziam questão de manter um silêncio sigiloso no ambiente. Ninguém ousava tecer um comentário sequer sobre a menina.
No andar térreo, fui informado do que a criança e sua mãe não estavam mais lá, pois teriam sido levadas a um outro hospital há pouco tempo acompanhadas de uma senhora chamada Vilma Guimarães. Nenhum funcionário sabia dizer para qual hospital a criança teria sido levada. Tentamos entrar em contato com a Sra. Vilma Guimarães, visto que nos lembramos que em uma de nossas primeiras visitas ao IMIP para ver a criança, quando do assédio de jornalistas querendo subir ao apartamento reservado exclusivamente para a menina e a sua mãe, uma balconista (enfermeira atendente) chamada Sandra afirmou meio irritada em alta voz que só seria permitida a entrada de jornalistas com a devida autorização do Sr. Antonio Figueiras ou da Sra. Vilma Guimarães, o que nos leva a crer que se trata de alguém influente na casa.
Ficamos então a nos perguntar o seguinte: lá no IMIP nos foi afirmado que a criança estava correndo “risco de morte” e que, por isso, deveria ser submetida urgentemente aos procedimentos abortivos para que a situação não se agravasse mais ainda. A pergunta é: como alguém correndo risco de morte poderia ter alta de um hospital. A credibilidade do IMIP não estaria em jogo se liberasse uma paciente que corre risco de morte? Como explicar isso? Como um quadro pode mudar tão repentinamente e a criança ter condições de ser removida a um outro hospital? O que teriam dito as militantes do grupo Curumins à mãe para que ela mudasse de opinião? Seria semelhante ao que foi feito com o pai, que depois de cerca de vinte e cinco minutos de conversa, a sós, com a Assistente Social, a portas fechadas, saiu da sala totalmente convicto de que a sua filha deveria abortar os seus netos, desfazendo sua opinião primeira favorável à vida das crianças? Por que ninguém no IMIP informou ao Conselho Tutelar para onde teria sido transferida a criança? Por que tanto silêncio e tanto mistério? Estariam, por acaso, fazendo algo errado que não pudesse ser conhecido?
De lá do IMIP voltamos ao Palácio dos Manguinhos sem saber muito que fazer, uma vez que nenhuma pista nós tínhamos de onde a menina e a sua mãe se encontravam. Convocamos órgãos de imprensa para fazer uma denúncia, frente ao apelo do pai que queria saber onde estava a sua filha naquela noite.
Na manhã da quarta-feira, dia 4 de março, já em Alagoinha, ficamos sabendo, por meio da imprensa, que a criança estava internada no CISAM, acompanhada de sua mãe. O Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (FUSAM) é um hospital especializado em gravidez de risco, localizado no bairro da Encruzilhada, Zona Norte do Recife. Lá, por volta das 9 horas da manhã, nosso sonho e luta para salvar as duas crianças se foi, baseado num ato de manipulação da consciência, extrema negligência e desrespeito à vida humana como se de nada estivéssemos falando.
Tudo isto foi relatado para que se tenha clareza quanto aos fatos como verdadeiramente eles aconteceram. Nada mais que isso houve. Porém, lamentamos profundamente que as pessoas se deixem mover por uma mentalidade formada pela mídia que está a favor de uma cultura de morte. Espero que casos como este não se repitam mais.
Ao IMIP, temos que agradecer pela acolhida da criança lá dentro e até onde pode cuidar dela. Mas por outro lado não podemos deixar de lamentar a sua negligência e indiferença ao caso quando, no momento em que, sabendo do verdadeiro quadro clínico das crianças, permitiu a saída da menina de lá, mesmo com o consentimento da mãe, parecendo ato visível de quem quer se ver livre de um problema.
Aos que se solidarizaram conosco, nossa gratidão eterna em nome dos bebês que a esta hora, diante de Deus, rezam por nós. “Vinde a mim as crianças”, disse Jesus. E é com a palavra dele mesmo que continuaremos a soltar nossa voz em defesa da vida onde quer que ela esteja ameaçada: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente” (Jo. 10,10).
Nisso cremos, nisso apostamos e por isso nos gastaremos sempre.

Acima de tudo, a Vida, dom de Deus para todos!

Fonte: http://padreedson.blogspot.com/

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O verdadeiro valor.

Penso que todos conhecem o ditado “só se dá valor ao que se perde”. Bem, não é bem isso que estou sentindo, mas parto dessa idéia para poder explicar o que tenho aprendido aqui.

Vários dias desses dois primeiros meses Deus tem me dado a graça de ter de volta na memória e no coração momentos marcantes e felizes, pessoas especiais e importantes, como se os momentos fossem o hoje, e as pessoas estivessem presentes aqui. E essa é a mais pura verdade. Penso que Deus tem feito “borbulhar” em mim as coisas que possuem largura, altura, comprimento e profundidade no meu coração. Ou seja, surgem de repente para mim com seu devido valor, seu grande valor, e me fazem sorrir. Dão-me gratidão de reconhecer de onde vim, e a quem pertenço, e a quem amo, e por quem sou amado.

Aos referidos amigos quero escrever particularmente, depois. Aqui quero apenas deixar registrado que o Segue-me e o Santuário São Francisco estão naquela lista de lugares sagrados no meu coração, onde comecei a aprender a amar e a caminhar em Deus, a descobrir e me deixar descobrir pelos amigos.

Rezo por todos vocês!

Antes do ponto final: não tenham medo de amar, de se deixarem descobrir e tocar pelos irmãos! É dando que se recebe!

Um forte abraço!

Shalom!

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Queridos leitores,

PERDÃO!

Maneira estranha de começar um texto, não? Mas eu precisava me desculpar por passar tanto tempo sem atualizações no Parresia.

Como um post é muito pouco para resumir o quanto esses dois meses aqui têm¹ sido intensos, vou apenas dividir com vocês a agradável surpresa em encontrar jovens ingleses querendo ser santos. É aquela velha história: você dá, mas quem recebe é você. Pense em uma pessoa que chegou na Inglaterra como missionário, mas que hoje — só para citar um exemplo –, se deparou com duas belas jovens inglesas (uma tem quinze, e a amiga tem 14 anos) que esperam, até o início de 2010, terminarem a leitura integral da Palavra de Deus. Reservam todos os dias um momento à noite.

Ou pense no brasiliense que veio morar em Bournemouth, e que teve a bela surpresa de passar a noite de Reveillon num retiro com aproximadamente outros 200 jovens, adorando a Jesus na Eucaristia e celebrando-O com muita música!

Possamos todos, os brasilienses e eles, unir nossas forças para ir atrás daqueles que ali não estavam, ou que não sabem o que é uma Bíblia, mas que têm a mesma sede de conhecer o mesmo Deus que eu e você conhecemos. Pois o ser humano é assim, tem a mesma sede de Deus em todo canto do mundo.

Shalom!

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¹ Perdoem-me os que acompanham as atualizações ortográficas da língua portuguesa, mas ainda não me acostumei. Então, aceitem com carinho o meu “têm”, errado ou não.

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Deus cuida

Hoje vou me dar o trabalho de falar o óbvio: Deus cuida, Deus escuta, Deus dialoga. Vou contar uma história que ouvi de um padre que conheci aqui na Inglaterra. Dizia que estava em Paris, sem muito conhecimento da língua francesa, e previa que lá ficaria por uns 20 dias. Estava hospedado, se não me falha a memória, em um convento, aproveitando as férias. Depois de alguns dias passou a sentir-se um pouco só. Saiu de casa, caminhou um pouco, pegou o metrô… Entre uma estação e outra, teve um diálogo interessante com Jesus: “Senhor, manda alguém, por favor! Alguém que fale português, alguém que possa me dar um abraço, que possa conversar comigo, me ouvir… Não é carência física, mas eu preciso conversar com alguém, preciso de um abraço!” Pareceu ouvir a resposta “ciumenta” de Deus: “Você é meu, não divido você com mais ninguém.” “Mas se sou teu, arranja um jeito de me abraçar, de me tocar!”

Desceu na estação seguinte, como que de impulso. Estava em Rue du Bac, onde se encontra a capela da Ordem das Irmãs da Caridade. A essa Ordem pertencia Catarina, hoje Santa Catarina Labouré, que de Maria Imaculada teve visões e o pedido de cunhar uma medalha — a Medalha Milagrosa. Bateu na porta de um convento, prontamente aberta por uma freira impressionada. Identificaram-se: ela também era brasileira, e — para não falar de providência! — as irmãs estavam precisando de um padre que desse a bênção ao final da oração, pois o titular não pôde comparecer.

Entrou, pois, e foi se paramentar. As irmãs estavam conduzindo a oração e, ao fim, vestido com o véu umeral, erguia o ostensório com o Santíssimo Sacramento para dar a bênção, quando ouviu o Senhor dizer-lhe: “Não te disse? Estou nas tuas mãos.”

Shalom!

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