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Caríssimos irmãos,
Desde o último domingo, a Igreja quer nos preparar para a Ascensão do Senhor. Semana passada, ouvimos: “Filhinhos, por pouco tempo estou convosco”. (Jo 13,33). Neste, daremos um passo mais largo, no evangelho escutamos a despedida de Jesus: “vou, mas voltarei a vós”. (Jo 14, 28). E ainda, não ouvimos dizer apenas da partida, mas da descida do Espírito Santo (defensor). A Liturgia nos vai mostrar a íntima relação existente entre a Ascensão do Senhor e a descida do defensor.
“Mas o defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”. (Jo 14, 26). Nesta descida encontraremos três formas de ação: no mundo, na Igreja e na alma. No mundo,faz com que os pecadores retornem à vida; na Igreja (como ouvimos no Evangelho), recorda ao Magistério e aos fiéis tudo o que Cristo ensinou e fez, preserva-nos do erro e das faltas, faz de nós seus templos vivos (2ª Leitura); na alma, Ele é nosso guia, dextra do Senhor, o Dedo de Deus. Preparemo-nos para essa vinda que nos dará forças e ânimo na caminhada.
Com a aproximação da partida de Cristo, a liturgia ressoa com maior força o seu louvor para não esquecermos as maravilhas acontecidas. No intróito (antífona de entrada) da Missa ouvimos: “anunciai com gritos de alegria, proclamai até os extremos da terra: o Senhor libertou o seu povo, alelluia!” No período pascal, sempre recebemos o convite de cantar hinos de ação de graças pelas dádivas recebidas (pela libertação) e o brado crescente de anunciar essa vitória a todos os povos e nações.
Desse desejo nasce a resposta do salmo: “que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem”. (Sl 65,6). A libertação precisa ser anunciada, proclamada e vivida. Conseqüência desta idéia é a oração da coleta que vai pedir duas dádivas importantes para a nossa caminhada, dai-nos celebrar com fervor os dias de júbilo e uma vida de acordo com os mistérios que celebramos. A liturgia nos mostra a união existente entre o que celebramos e o que queremos praticar na nossa vida.
A esperança de uma nova terra, longe de atenuar, deve impulsionar a solicitude pelo aperfeiçoamento desta terra. (Gaudium et Spes, 39). A alegria cristã deve nos impulsionar ao testemunho. Nossa participação nas conquistas do mundo deve refletir a virtude da esperança cristã. Essa virtude consiste no trabalho para estabelecer a paz e a solidariedade. Ao falar de paz, retornamos ao Evangelho, “deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo”. (Jo 14, 27).
É preciso buscar a paz que está em Deus e a fé que anima a Igreja, para conservarmos a paz e a unidade. O mundo nos dá uma paz momentânea, um prazer passageiro. Estamos no mundo, mas não pertencemos ao mundo. Que a nossa vida seja espelho da glória de Deus.
Sendo imagens desse espelho, a 2ª leitura vai concluir que: “a cidade não precisará de sol, nem a lua que a iluminam, pois a glória de Deus é a sua luz e a sua lâmpada é o Cordeiro”. (Ap 21, 23). Das semanas que passamos, podemos nos recordar que esta “cidade” santa é a nova Jerusalém, a Igreja. E como diz o Sagrado Concílio, podemos participar já aqui na terra da liturgia dos céus. Essa participação ativa, consciente e frutuosa deve servir como o espelho da glória de Deus.
Sendo espelhos da glória de Deus, vivendo o que celebramos, anunciando a paz, antegozando da liturgia celeste, poderemos embelezar ainda mais com pedras vivas e preciosas a Igreja. Que este tempo – passageiro – de tribulações possa aumentar o nosso ânimo e a nossa coragem de sermos e de vivermos o anúncio da paz.
Aguardemos o “defensor” até que Ele venha e nos dê a coragem e a força para o seguimento. Que o Senhor nos dê a paz!
Frei Luis Felipe Carneiro Marques, OFM Conv.